Porque em todo o mundo se ouve falar dos metros de Nova York. Dos centímetros, não.
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Talvez os metros possam ser convertidos em quilômetros; mas não em centímetros - sentimentos mínimos e ímpetos infinitos. Porque a gente está acostumado com a maioridade, até mesmo ao querer mudar o mundo. Mas que mundo mesmo? Viver a minoridade. Amar os restos - e quiçá os insetos mais do que os mísseis. Ver as coisas mijadas de orvalho. Ser "menor" sem "ser". Menor. Viver em centímetros - viver o que não tem medida, nem nunca terá.
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Talvez os metros possam ser convertidos em quilômetros; mas não em centímetros - sentimentos mínimos e ímpetos infinitos. Porque a gente está acostumado com a maioridade, até mesmo ao querer mudar o mundo. Mas que mundo mesmo? Viver a minoridade. Amar os restos - e quiçá os insetos mais do que os mísseis. Ver as coisas mijadas de orvalho. Ser "menor" sem "ser". Menor. Viver em centímetros - viver o que não tem medida, nem nunca terá.
24 de fevereiro de 2011
Racoon
De madrugada, voltando pra casa, encontro o "raccoon", que parece um pequeno urso. Provavelmente saiu do Central Park para procurar comida entre as sacolas de lixo nas calçadas. E com a sensação térmica de -10°C, Nova York continua podendo surpreender mesmo nos caminhos mais monótonos do dia-a-dia.
20 de fevereiro de 2011
Entrar para fora da vitrine - Entering to outside of showcase
| Costurando a vitrine |
Um senhor grisalho, gordo, anônimo e com mãos grossas é vitrine em Nova York. Penduradas com prendedores num varal, as fotos demonstram o processo: passo a passo da fabricação dos sapatos vendidos na loja. Os famosos outdoors digitais da Times Square não tiram o espaço de vitrines que se interessam por um outro tempo, um tempo mais longo em que as digitais dos dedos podem deixar marcas num produto feito à mão.
16 de fevereiro de 2011
Aguando as arvores
O lago no Central Park comecou a descongelar. Entre as temperaturas negativas, um dia de 11°C espalhou um pouco d'agua pelas ruas derretendo parte da neve. Nao da' mais para caminhar sobre o lago, mas ao menos agora da' para encontrar as arvores nos reflexos dele.
4 de fevereiro de 2011
3 de fevereiro de 2011
Voando no chao
Vi uma ave voando sobre a neve. Fotografei o sobre - e nao a ave, e nao a neve.
| Uma ave voa sobre o lago coberto de neve no Central Park. |
Meu avô andava à toa.
Não prestava pra quase nunca.
Mas sabia o nome dos ventos
Lírios o meditavam.
Só tinha receio de amanhecer normal.
Penso que ele era provedor de poesia como as aves
e os lírios do campo.
Manoel de Barros (trechos do poema)
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