Porque em todo o mundo se ouve falar dos metros de Nova York. Dos centímetros, não.
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Talvez os metros possam ser convertidos em quilômetros; mas não em centímetros - sentimentos mínimos e ímpetos infinitos. Porque a gente está acostumado com a maioridade, até mesmo ao querer mudar o mundo. Mas que mundo mesmo? Viver a minoridade. Amar os restos - e quiçá os insetos mais do que os mísseis. Ver as coisas mijadas de orvalho. Ser "menor" sem "ser". Menor. Viver em centímetros - viver o que não tem medida, nem nunca terá.

15 de janeiro de 2011

"Eu via a natureza como quem a veste" Manoel de Barros

Esta semana numa rua de cidades do interior no interior de Manhattan


      Uma das melhores surpresas que eu tive foi descobrir ruas do interior pela cidade. A poucas quadras onde uma multidao de turistas tira fotos, ha ruas com poucos carros, pessoas andando de bicicleta e uma outra compreensao da cidade vivenciada por moradores. Os restaurantes mais importantes nao possuem destaque nos letreiros e milhoes de turistas passam na frente deles sem percebe-los. Mas o assunto ultimamente e' a forte nevasca que caiu especialmente sobre Nova York. Realmente foi grande e linda. Mas sobre a nevasca se ouve falar dos numeros de voos cancelados, da quantidade de neve e das comparacoes com anos e decadas anteriores. A nevasca foi realmente impressionante e tenho me surpreendido diariamente com a beleza e a quantidade. Mas talvez mais interessante seja falar da neve atraves das suas gramas, e nao das toneladas. Dos centimetros, e nao dos quilometros. Ao medir a neve em toneladas nao se enxerga as criancas fazendo bonecos, as sutis camadas sobre os galhos das arvores ou dos coracoes tropicais que fervem em seus cofres gelados aos estarem cobertos de neves pela primeira vez. E' anular as febres loucas e breves que mancham o silencio e o cais.

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